| Tânia Rêgo/Agência Brasil |
A partir da 0h desta segunda-feira (15), empregados do Sistema Petrobras iniciaram uma greve nacional, sem prazo para encerramento. A paralisação foi desencadeada pela rejeição da contraproposta apresentada pela estatal para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), considerada insatisfatória pela categoria após mais de três meses de negociações. O movimento ocorre mesmo após a Petrobras anunciar lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025.
A mobilização é unificada e reúne a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), entidades que representam cerca de 75 mil trabalhadores e abrangem a maioria das unidades operacionais e de produção de petróleo no país. Em assembleias realizadas na base do Sindipetro-NF, mais de 96% dos participantes votaram a favor da greve.
Principais reivindicações
O principal impasse envolve questões econômicas e direitos trabalhistas. A proposta da Petrobras prevê reajuste de 5,66% — reposição da inflação acrescida de 0,5% de ganho real. Os sindicatos, porém, reivindicam aumento de 9,8% para recompor perdas salariais acumuladas em anos anteriores.
Além do índice salarial, os trabalhadores cobram o fim dos equacionamentos do fundo de pensão Petros, uma distribuição mais equilibrada dos lucros da empresa — citando os dividendos recordes de R$ 32,7 bilhões pagos aos acionistas — e a recuperação de direitos retirados em administrações passadas. Há ainda críticas a tentativas de alteração de cláusulas que estão em análise judicial.
A paralisação atinge plataformas, refinarias e áreas administrativas. De acordo com as lideranças sindicais, as atividades essenciais e de segurança são mantidas por equipes mínimas, sem interrupção total da produção. O impacto ocorre principalmente pela suspensão das trocas de turno e da atuação de equipes de reforço, o que pode gerar maior pressão sobre o sistema caso a greve se estenda.
Na manhã desta segunda-feira, a adesão ao movimento impediu o revezamento de trabalhadores em seis refinarias: Regap (MG), Reduc (RJ), Replan (SP), Recap (SP), Revap (SP) e Repar (PR).
Também houve registro de tensão em Duque de Caxias (RJ), onde a Polícia Militar utilizou spray de pimenta para dispersar manifestantes durante protesto em frente à refinaria Reduc. Aposentados e pensionistas também aderiram aos atos, promovendo vigílias em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Fonte: Jovem Pan



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