Mais de 40% das pessoas em situação de rua no DF têm curso profissionalizante — ações do GDF oferecem dignidade e novos começos

Chegar a Brasília com uma criança no colo e nenhum lugar para ficar poderia ser o começo de mais um drama urbano. Mas, para André Luís Batista, 44 anos, natural de Ribeirão Preto (SP), foi o início de um recomeço. Ele deixou sua cidade natal para escapar de conflitos familiares e tentar reconstruir a vida ao lado do filho de cinco anos.

Acolhido em uma unidade do Governo do Distrito Federal (GDF) em São Sebastião, André recebeu apoio social e logo teve a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Hoje, trabalha no Serviço de Limpeza Urbana (SLU) com carteira assinada.

“O recomeço é tudo. Dá dignidade, dá esperança. Ainda mais quando a gente tem uma criança que se espelha na gente. Agora meu plano é juntar dinheiro e alugar uma casa para nós dois”, conta ele.

Transformação através do trabalho

A mesma esperança também guia Thais Ferreira Madureira, 28 anos. Vítima de violência doméstica, ela chegou a dormir nas ruas com os dois filhos pequenos antes de ser acolhida por uma instituição do GDF. Lá, participou do programa de capacitação RenovaDF e conquistou uma vaga também em uma empresa parceira do SLU.

“Isso aqui é uma chance real de recomeçar. Quero crescer na empresa, terminar os estudos e dar uma vida melhor para meus filhos. Se eu consegui, outras pessoas também vão conseguir.”

Hoje, o SLU emprega 35 pessoas em situação de rua, contratadas pelas empresas terceirizadas que prestam serviços ao órgão. A meta é preencher as 90 vagas reservadas para esse público, conforme o Decreto nº 45.846/2024, que determina a reserva de 2% dos postos de trabalho em contratos com o GDF para cidadãos em situação de rua.

Essa medida faz parte do Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua, coordenado pela Casa Civil do Distrito Federal.

“Nosso foco é garantir dignidade e oportunidades reais de recomeço. Acolher essas pessoas e oferecer uma porta de entrada para o mercado de trabalho é uma forma concreta de tirá-las das ruas com dignidade”, afirma o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha.

Perfil da população e políticas públicas

As histórias de André e Thais ilustram os dados do 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua, realizado pelo IPEDF (Instituto de Pesquisa e Estatística do DF). A pesquisa revela que mais de 40% das pessoas em situação de rua no DF têm ao menos um curso profissionalizante. Os dados foram levantados em espaços públicos, abrigos e comunidades terapêuticas e mostram avanços importantes nas políticas públicas.

O estudo também indica que políticas de acolhimento, capacitação e inserção no mercado de trabalho são fundamentais para quebrar ciclos de exclusão social.

Caminhos possíveis

Com ações como a capacitação via RenovaDF, o acesso ao mercado formal e a garantia de políticas públicas estruturadas, o GDF avança no enfrentamento da vulnerabilidade social extrema. Mais do que números, são vidas como as de André e Thais que mostram que o recomeço é possível — com apoio, dignidade e oportunidades.

Fonte: Agência Brasília

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