Guterres pede apoio dos Brics para fortalecer governança global mais justa

Ricardo Stuckert/PR

O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou da 17ª Cúpula do Brics — grupo formado por Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul, além de países parceiros — encerrada na última segunda-feira (7/7). O encontro não contou com a presença dos presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China).

Durante duas sessões temáticas, Guterres destacou a urgência de fortalecer o multilateralismo, discutir o uso ético da inteligência artificial (IA) e enfrentar os desafios da mudança climática e da saúde global. Ele anunciou que, em breve, apresentará um relatório com propostas de financiamento voluntário para capacitar países em desenvolvimento no uso da IA, e pediu o apoio dos Brics à iniciativa.

Segundo o líder da ONU, é preciso enfrentar “desequilíbrios estruturais profundos” do sistema global, adaptando instituições como o Conselho de Segurança da ONU e a arquitetura financeira internacional às novas dinâmicas de poder mundial.

Na cúpula, Guterres também defendeu maior participação dos países em desenvolvimento na governança econômica global e sugeriu medidas como a reestruturação eficaz da dívida externa e o aumento da capacidade de empréstimo dos bancos multilaterais.

“A cooperação é a maior inovação da humanidade”, afirmou, ao reforçar o valor do multilateralismo em tempos de crise.

O secretário-geral ainda apelou por um cessar-fogo imediato e duradouro em Gaza, além do fim de conflitos em outras regiões como Ucrânia, Sudão, Congo, Somália, Sahel e Mianmar.

Ao fim da cúpula, os Brics adotaram uma declaração política com 126 pontos, reafirmando o compromisso com o direito internacional, a Carta da ONU e os princípios do multilateralismo. O texto também destacou o “Pacto do Futuro”, o “Pacto Digital Global” e a “Declaração sobre as Gerações Futuras”.

A presidência rotativa do grupo será assumida pela Índia em 2026.

Fonte: Metrópoles

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